Raphaël Sanchez

Entrevista

Realização artística mais importante antes de se reunir à equipe do Cirque du Soleil:

Minha relação artística de 10 anos com Annie Fratellini (Circo Fratellini, Paris) como compositor e diretor musical.

Nos fale um pouco de seu percurso artístico antes de se reunir ao Cirque du Soleil:

Compositor de cinema, teatro e circo tradicional (Annie Fratellini);
Maestro de várias produções, incluindo Les Misérables, Cats, Chicago, Hello Dolly, 42nd Street e os balés de Monte-Carlo;
arranjador e orquestrador de várias trilhas sonoras de filmes, discos e projetos experimentais;
Pianista com uma sólida formação clássica; também toco jazz, e música tradicional como, por exemplo, tango argentino.

  • Raphaël Sanchez
  • França
  • Director de orquesta
Quando você se reuniu à equipe do Cirque du Soleil?

Em novembro de 2004.

Como aconteceu seu primeiro contato com o Cirque? Qual era o contexto?

Eu encontrei os recrutadores do Casting do Cirque du Soleil em Paris durante uma série de audições de canto.

Nos fale sobre sua audição, formação ou oficina.

Eu não fiz realmente uma audição. Eu dei ao Cirque um DVD de meu trabalho e eles me telefonaram alguns meses depois para um trabalho em Varekai. Eles me enviaram o DVD do espetáculo e um CD com quatro canções sobre as quais eu devia gravar alguns trechos de teclado.

Como foi a sua integração em Montreal e ao espetáculo?

Tudo aconteceu muito rapidamente. Eu passei três dias em Montreal aprendendo a me maquilar, experimentar meu figurino, participar de reuniões com o compositor e o diretor artístico, finalizar meu contrato e fazer as formalidades administrativas. Em seguida, viajei para Dallas, no Texas, onde Michel Cyr, o antigo maestro, estava em seus 10 últimos dias com o show Varekai. Os artistas, os treinadores e a equipe técnica me ajudaram muito e gostaria de agradecer a eles por toda a gentileza.

De que maneira fazer parte de um espetáculo do Cirque du Soleil permite que você se exprima em sua disciplina?

Após mais de 850 apresentações de Varekai, eu ainda me sinto como quando comecei há 30 meses. Cada apresentação é uma estréia que exige a mesma atenção, a mesma sensibilidade e a mesma energia…

Do que é que você gosta mais como membro do Cirque du Soleil?

A dedicação total das pessoas… Dos sonhadores aos artistas, sem esquecer a fantástica equipe de apoio: técnica, logística, figurinos, concessões, administração, serviços de turnê, restaurante, tecnologias da informação, VIP, maquinistas, equipamentos, escola, cozinha, segurança, limpeza, etc. Eu faço parte de uma equipe extraordinária!

Se fosse possível captar a energia que todo o mundo emprega em Varekai e transformá-la em eletricidade, poderíamos iluminar uma cidade!

Como foi a transição de sua carreira anterior a seu papel atual no Cirque?

Para mim, ter que concentrar minha energia num único projeto era algo novo e eu tinha um pouco de receio disso! Minha carreira anterior era mais variada… Num dia de trabalho normal, eu podia dirigir uma gravação de manhã, ensaiar com um grupo de tango tradicional à tarde, dirigir a orquestra de um espetáculo à noite e finalmente, compor ou escrever arranjos e orquestrações para um novo projeto à noite depois de tudo isso!

Felizmente, por causa da complexidade do espetáculo, a interação entre as diversas equipes e o fato que sempre há muitos ajustes a ser feito o tempo todo, meu papel de maestro me mantém bem ocupado!

Por que você recomendaria a um artista de se tornar membro do Cirque?

É uma experiência única que você não esquecerá nunca.

Como é a vida de turnê, em Las Vegas e em Orlando?

Mais do que intensa. Viajar em companhia de minha família faz uma grande diferença. Eu nunca tinha passado tanto tempo com eles!

Eu gostaria de mencionar também que o Cirque du Soleil fornece a educação às crianças em turnê. Os professores são excelentes, melhores do que poderíamos esperar. Nos 18 últimos meses, meu filho aprendeu inglês, e neste momento, está aprendendo russo e fazendo cursos de malabarismo e acrobacia.