Zara Tellander

Entrevista

Nos fale um pouco de seu percurso artístico antes de se reunir à equipe do Cirque du Soleil:

Eu estudei música na Suécia durante sete anos e fiz meu mestrado na Universidade de Gothenburg. Após ter me formado, trabalhei como cantora em diversos grupos e como solista e fui professora de canto.

Além de me apresentar em espetáculo, também compus e arranjei música para meus grupos, meus alunos e eu mesma. Participei de programas de rádio e televisão, dei muitos concertos e, em 1998, gravei um disco com o trio vocal Envisa.

Além disso, também fiz cursos de improvisação teatral. Em 2000, eu fiz um curso na Loose Moose Theatre Summer School de Calgary, no Canadá. Além disso, também dei espetáculos com uma trupe de improvisação na Suécia durante alguns anos.

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Quando você se reuniu à equipe do Cirque du Soleil?

Em 19 de março de 2002.

Como aconteceu seu primeiro contato com o Cirque? Qual era o contexto?

Um dia, na Suécia, quando liguei a televisão, o canal 4 estava apresentando Quidam. Isto atraiu minha curiosidade e procurei mais informações sobre o Cirque na internet. Eu descobri que eles utilizavam cantores e vozes ao vivo no palco durante os números de circo, o que era algo novo para mim.

Então, eu enviei um CD de demonstração e seis semanas mais tarde, um representante do Casting me telefonou. Seis semanas após este telefonema, eu estava em Montreal trabalhando na criação de Varekai.

Como foi a sua integração em Montreal e ao espetáculo?

Eu fiz cinco semanas de criação em Montreal, antes da estréia de Varekai. Foi um trabalho muito duro, a gente trabalhava durante longas horas. Era muito exigente se habituar aos artistas vindos de todos os lugares do mundo e tentar se acostumar com a equipe de criação e a maneira como o espetáculo avançava. A criação de um novo espetáculo é um trabalho muito intenso. Porém, eu tinha treinadores para me ajudar o que foi muito bom.

Em relação a meu segundo espetáculo, «O», eu conhecia já o Cirque e, por isso, a integração foi rápida e fácil. O espetáculo é antigo e tudo foi preparado minuciosamente para a minha chegada. Num período de uma semana, eu já estava mais ou menos à vontade em meu novo papel. O momento mais emocionante para mim foi quando a equipe de som de «O» conversou com meu antigo chefe de sonorização para perguntar quais eram minhas preferências de mixagem dos monitores. Eu me senti realmente bem-vinda.

De que maneira fazer parte de um espetáculo do Cirque du Soleil permite que você se exprima em sua disciplina?

Tudo é uma questão de equilíbrio. Eu tenho liberdade de expressão artística quando canto minhas próprias canções em meu próprio contexto. Por outro lado, a influência de outros pontos de vista artísticos amplia meus horizontes como artista.

No Cirque, existe um conceito de espetáculo que deve ser respeitado, mas existe sempre uma maneira de aproveitar as qualidades únicas daqueles que participam do show. Às vezes, é difícil distinguir onde termina a liberdade artística e começa o respeito ao conceito. Muitas vezes, a equipe artística, o maestro ou o compositor, podem nos ajudar numa situação como esta.

Cada vez que eu sinto a necessidade de me exprimir «inteiramente à minha maneira», eu realizo pequenos projetos criativos em meu tempo livre.

Do que é que você gosta mais como membro do Cirque du Soleil?

Viajar, aprender coisas novas, encontrar pessoas que eu nunca teria encontrado de outro modo, ver pessoas dominarem disciplinas que eu nem sabia que existia, experimentar comidas de outras culturas, falar línguas estrangeiras, ser influenciada e inspirada por músicos da China, Senegal, Canadá, Estados Unidos, Polônia, etc., trabalhar duro com meus colegas para satisfazer o público duas vezes por dia, ir sempre mais longe… as razões são realmente muitas.

Quando tantas culturas diferentes se misturam, isto me permite também aprender mais a respeito da minha própria cultura e de mim mesma. Isto amplia os horizontes e cria conversas interessantes o tempo todo. E tudo isso, sem mencionar o fato que trabalho em tempo integral como cantora!

Como foi a transição de sua carreira anterior a seu papel atual no Cirque?

A transição foi muito rápida. Eu nem tive muito tempo para refletir. Era uma mudança importante em minha vida. Em turnê, nós tivemos que nos apoiar mutuamente, pois estávamos quase todos na mesma situação, em plena mudança.

Por que você recomendaria a um artista de se tornar membro do Cirque?

Cada um tem suas próprias razões para se tornar membro do Cirque du Soleil! Esta é uma oportunidade muito boa para aprender muitas coisas… mas tudo depende de nosso nível de curiosidade.

Eu tomei minha decisão baseada nesta idéia: «Quando eu for muito velha, eu não quero me perguntar como teria sido se eu tivesse aceitado de trabalhar neste circo…»

Como é a vida em Las Vegas e em turnê?

A vida em turnê é como ser casada com 150 pessoas que você não escolheu. A gente viaja em grupo e sabe de muitas coisas sobre todos os outros! Por outro lado, de tanto viajar de cidade a cidade, a gente sabe que pode confiar nos outros e que se pode contar com eles para o que der e vier. A vida em turnê é muito dinâmica e muito diferente de um espetáculo pra outro.

A vida em Las Vegas é completamente diferente. O horário dos espetáculos é planejado com muita antecedência e, por isso, é possível ter uma vida «normal», com casa, carro, família, passatempos, jardim, etc.