David Shiner

David Shiner começou como mímico de rua em Paris e sua carreira realmente decolou em 1984, quando foi descoberto no renomado festival de circo Cirque de Demain. Ele seguiu se apresentando em uma sucessão de companhias bem conhecidas, incluindo a trupe alemã Circus Roncalli e a companhia nacional suíça Circus Knie. Nos períodos entre seus compromissos com os circos, ele entrou em turnê com o veterano René Bazinet do Cirque du Soleil apresentando o show que eles criaram para dois atores.

A primeira associação formal de David com o Cirque du Soleil veio em 1990, quando ele co-escreveu e se apresentou na Nouvelle Expérience, passando em turnê pelos Estados Unidos e Canadá durante 19 meses. Ele fez sua estréia em filmes em 1992, no papel de um palhaço em 'O óleo de Lourenço' e, no ano seguinte, contracenou com Bill Irwin no filme 'Silent Tongue' de Sam Shepard. Ele e Irwin, então, criaram o show sem diálogos para dois atores 'Fool Moon', com músicas de Red Clay Ramblers, que também havia atuado em 'Silent Tongue'. Essa noite de ' loucura inspirada ' durou de 1993 até 2001, incluindo três apresentações separadas na Broadway. Fool Moon ganhou um PrêmioTony especial de apresentação teatral, um Prêmio Drama Desk de experiência teatral singular e um Prêmio Outer Critics Circle Special Achievement.

Em 2000, David criou o papel do Gato no Chapéu, anfitrião e guia do musical da Broadway 'Seussical'. Posteriormente ele saiu em turnê pela Europa e por Seattle com seu show "David Shiner in the Round". Depois disso, David fez várias aparições no "The Tonight Show" e é diretor convidado no Wintergarden Theatre em Berlim e no Apollo Theatre em Dusseldorf.

Em 2007, David escreveu e dirigiu a turnê do show KOOZA do Cirque du Soleil.

  • David Shiner
  • Montreal
  • Diretor e palhaço

Qual é sua abordagem com os palhaços nos projetos do Cirque du Soleil dos quais você fez parte?
Procuro encontrar pessoas que sejam talentosas e engraçadas, interessantes na forma como se movem, que tenham rostos interessantes, e eu os ajudo a desenvolver seu potencial. Eu ensino coisas como ponto fixo, como desenvolver um personagem e um senso realmente bom de ritmo e tempo, como improvisar com o público, etc. Dou aos palhaços com os quais trabalho muito das coisas básicas que aprendi nesses últimos 25 anos.

Normalmente, as pessoas nascem como palhaços, isso não é uma coisa que você pode estudar e aprender. Você pode aprender certas técnicas, mas você é ou não é engraçado. Então eu sempre tento encontrar pessoas que têm algo de engraçado. Se elas são engraçadas, deve haver alguma maneira de explorar essa coisa engraçada e fazê-la trabalhar a favor delas. Estou sempre procurando por alguém que tenha uma ótima técnica ou grandes habilidades de movimento ou talento para o pastelão. Só estou procurando por alguém que seja engraçado. A partir daí podemos começar a ensinar as técnicas.

Todos os estilos diferentes das técnicas de "clown" (russa, americana, européia) podem funcionar, mas temos que modernizá-las para o público atual.

O que você acha de desafiador e estimulante em trabalhar com palhaços de diferentes formações?
Dar a eles todo o meu conhecimento. Como mentor, estou lá para ajudá-los a aprender as coisas rapidamente. Quando olho para minha carreira, gostaria de ter tido um mentor, mas aprendi as coisas sozinho.

Eu os ajudo a encontrar um estilo. O que faz você engraçado? O que vai fazer com que você se diferencie de outro palhaço? Ensino aos palhaços a importância de se usar o corpo, na comunicação, sem a linguagem. Porque alguém que aprenda como estender sua energia e acessar o centro de sua criatividade pode andar por um palco, fazer pouca coisa e ser muito interessante de se assistir.

Qual é sua filosofia criativa?
Como diretor ou como mentor, é tentar ajudar as pessoas a encontrar suas fontes de inspiração e criatividade. Ajudá-las a sair da mente, se envolver no corpo e na respiração. Aprender a confiar em si, em suas idéias, acreditar em si, ter confiança. Ajudá-las a celebrar a alegria da atuação; o sentido mais puro da felicidade tirado do fato de estarem em um palco representando para um público. Respeitar a si mesmo e aos outros atores, aprender a se doar intensamente e fazer o público feliz. E o mais importante, saber quem você é: descobrir quem você é como artista, qual é a sua mensagem e porque você está lá. Sabendo disso, o resto é fácil.

Que papel você acha que os palhaços têm nos shows do Cirque du Soleil ?
Principal. Sem um palhaço em um circo, não há circo.

Como a arte do "clowning" e o Cirque du Soleil se misturam?
O Cirque tem uma grande tradição de sempre possuir bons palhaços. O lugar que eles têm em um show depende do diretor. Como diretor, visto que sou um palhaço, eles têm um papel principal. Ele é o personagem que nos conduz pela noite.

O palhaço é o personagem que tem a conexão emocional mais profunda com o público. Todos os artistas têm uma conexão profunda com o público, mas o palhaço realmente nos dá um senso da nossa humanidade, porque ele é um tolo, ele está fazendo o papel de um tolo. Ele está revelando nossa fraqueza emocional e está nos permitindo rir de nós mesmos. Grandes palhaços sempre foram amados porque eles nos permitem rir daquelas partes de nós mesmos que mais tememos e das quais mais temos vergonha. O palhaço nos ajuda a nos aceitar como somos.